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Nessa área colocaremos Artigos de interesse dos Associados visando divulgar informaçoes importantes para o dia-a-dia dos empregados e se você possui artigo tecnico encaminhe para a divulgação: assemco@cohab.mg.gov.br

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Representantes da ASSEMCO.

 

A Importância da Resiliência na Gestão de Carreira

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  Por Ari Lima 

 

Conhecemos inúmeros casos de pessoas famosas ou anônimas, que passaram por situações de extrema dificuldade, tragédias e privações, e mantiveram a crença, a fé e a postura combativa, conseguindo ultrapassar os obstáculos e retomar suas vidas ainda mais fortalecidas. Pessoas que sobreviveram a campos de concentração, que passaram por longos seqüestros, que viveram situação de falência em suas empresas, doenças graves e conseguiram dar a volta por cima, ressurgindo ainda mais fortes após superadas as dificuldades.

A psicoterapeuta e empresária paulistana Claudia Riecken, que lançou o livro “Sobreviver: Instinto de Vencedor – Os 12 Portais da Resiliência e a Personalidade dos Sobreviventes” (Editora Saraiva), faz um interessante estudo da personalidade e do comportamento de pessoas que passaram por adversidades. A autora apresenta algumas conclusões sobre as características destas pessoas, em recente matéria publicada na revista VOCÊ SA. (Edição 104, fevereiro de 2007).

Segundo a matéria, ela entrevistou 182 pessoas que passaram por situações críticas: sobreviventes de acidentes graves, campo de concentração nazista durante a segunda guerra mundial e outras adversidades; concluindo que estas pessoas têm em comum determinadas características e habilidades, como autoconfiança, persistência, criatividade, flexibilidade e bom humor perante a vida.

Analisando as características dos resilientes apontadas pela psicoterapeuta, vemos que muitas destas características são as mesmas que temos destacado em artigos e consultorias sobre marketing pessoal e gestão de carreira.

em recente artigo que publicamos com o título “As 7 Competências Essenciais para Gestão de Uma Carreira” descrevemos qualidades como: auto-motivação, bom humor, criatividade, liderança, capacidade de produzir conhecimento, relacionamento interpessoal e capacidade de sonhar como habilidades fundamentais para um profissional se sobressair no mercado.

Baseado nestas similaridades de competências pode-se observar que as organizações e o mercado de trabalho buscam hoje em dia pessoas resilientes, ou seja, pessoas que têm uma grande capacidade de adaptação e de vencer obstáculos mantendo a fé, a esperança e o bom humor. Precisam de pessoas que lutem e sejam competitivas, mas ao mesmo tempo mantenham uma condição psicológica tranqüila em face dos acontecimentos.

A boa notícia é que todas estas qualidades podem ser desenvolvidas. É preciso, portanto, que cada pessoa possa analisar sua própria condição em relação a estas competências, e buscar meios de desenvolver aquelas em que estiver aquém do esperado.

A conclusão que chegamos é a seguinte: cada vez mais a resiliência será uma qualidade a ser incorporada ao comportamento humano como condição de vida e de trabalho satisfatórios. E que o conjunto das 7  competências essenciais será o meio para se atingir a qualidade de uma pessoa resiliente.

A Importância do Associativismo

Cada vez mais o movimento associativo ganha expansão, sendo considerado uma mais valia no desenvolvimento da sociedade. Este reflecte o comportamento social dominante nas próprias comunidades. E é visto como uma forma de juntar interesses comuns, defendendo pontos de vista de forma global.
Segundo o “Guia Para o Associativismo” (2001:5), “O Associativismo é a expressão organizada da sociedade, apelando à responsabilização e intervenção dos cidadãos em várias esferas da vida social e constituiu um importante meio de exercer a cidadania”.
A importância e o valor do associativismo decorre do facto de constituir uma criação e realização viva e independente; uma expressão da acção social das populações nas mais variadas áreas.
Para José de Almeida Cesário, o associativismo é expressão e exercício de liberdade e exemplo de vida democrática. É uma escola de vida colectiva, de cooperação, de solidariedade, de generosidade, de independência de humanismo e cidadania. Concilia valor colectivo e individual. Pelo que, defender, reforçar, apoiar e promover o desenvolvimento do movimento associativo é defender e reforçar a democracia e a participação dos cidadãos na vida social.
O Movimento Associativo é um produto social. Transforma-se com a evolução social, acompanha e participa activamente nessa transformação. Realiza-se tanto mais profundamente quanto mais tenha claros os objectivos da sua intervenção, o seu projecto próprio e o projecto de sociedade para que está orientado o conteúdo fundamental da sua acção.
São muitos os autores que afirmam que o associativismo é uma forma de união de povos e/ou comunidades que procuram, de forma económica desinteressada, alcançar um objectivo, com uma personalidade jurídica própria, conferida, no nosso caso, pela lei portuguesa.
Tal como a Constituição da República diz, no seu artigo n.º 20, “toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacífica”.
Então, podemos afirmar que o associativismo, enquanto movimento de união e desinteresse económico, é um acto de liberdade e de opção para qualquer pessoa. Esta pode, de livre vontade, formar a sua própria associação.
“Uma associação forma-se por decisão voluntária (...) no sentido dos objectivos que lhes satisfaçam as necessidades (...)” (Elo Associativo nº. 17, 2001:16)
Na sociedade em que vivemos torna-se cada vez mais comum ouvir dizer que algumas associações são como que empresas, uma vez que a sua actividade exige uma gestão ao nível da empresarial.
Esta é uma das grandes confusões de muitos associativistas, dirigentes ou não. Uma Associação sem fins lucrativos não é uma empresa, senão vejamos:
- Uma empresa tem por objectivo produzir e/ou vender um produto, fazer lucro e distribuí-lo; Uma associação tem como fim prestar um serviço, resolver problemas sociais, desenvolver potencialidades, valorizar os seus associados, reinvestir socialmente eventuais receitas e proveitos realizados em prol de todos os associados e da população;
- Para uma empresa o que conta, em termos de representatividade, é a força económica e o investimento do sócio; Na associação cada associado tem um voto.
- Uma empresa é constituída e permanece enquanto desenvolve uma actividade economicamente rentável; Uma associação é uma emanação da vontade popular que traz benefícios sociais aos seus associados, vive e renasce permanentemente pela vontade de sucessivas gerações de associados anónimos, cuja força motora é a resposta a problemas locais, à melhoria da qualidade de vida, a participação popular, o exercício profundo da democracia, etc.
- As empresas não têm acesso ao estatuto de utilidade pública; As associações têm acesso ao estatuto de utilidade pública que assegura um conjunto de benefícios fiscais às associações.
Podiam alinhar-se outros exemplos, mas o que interessa realçar é que pela sua natureza e fins, associações e empresas são entidades diferentes.
Pires, (1987:9), cintando Bastos, 1950, diz que “A Associação é a reunião deduas ou mais pessoas que põem em comum, de uma maneira permanente, os seus conhecimentos ou a sua actividade para um fim que não é o de partilhar os benefícios”.
Trata-se de um movimento no qual as pessoas se agrupam em torno de interesses comuns, constituindo associações, entidades com personalidade jurídica e com objectivos de entreajuda e cooperação. (Guia para o Associativismo, 2001:5).
Os Estatutos fixam os grandes objectivos, enquanto os Regulamentos assinalam regras de comportamento dos associados entre si e de gestão para melhor se atingirem aqueles objectivos.
Toda a gestão é finalmente orientada para a organização de actividades que conduzem à satisfação das necessidades expressas pelos associados desde a fundação da associação, diversificadas em seguida e ampliadas à medida que os anos passam, a sociedade evolui e com ela as mentalidades, as técnicas, os meios e a cultura. (Elo Associativo, n.º 17, 2001: 16)
Enquanto forma privilegiada de intervenção da sociedade civil, o Associativismo, segundo o Guia para o Associativismo( 2001:5), rege-se por três princípios:
“De Liberdade – A adesão a uma associação é livre, tal como é livre a saída do movimento associativo”.
“De Democracia – O funcionamento de uma associação baseia-se na equidade entre os seus membros, traduzida na expressão «um associado, um voto»”.
“De Solidariedade – As associações resultam sempre de uma congregação de esforços, em primeiro lugar dos fundadores e depois de todos os associados.
Se por um lado a origem de uma associação acaba por ser comum a todas, ou seja, a congregação de esforços em torno de um interesse comum, por outro, o seu fim, o seu objectivo, já pode ser o mais diversificado, levando a que existam as mais variadas associações (Culturais, Recreativas, Desportivas, Defesa do Ambiente e Património, Desenvolvimento Local, Moradores, Estudantes, Pais, Profissionais...)

O Poder do Pensamento Coletivo

A palavra diálogo deriva de duas raízes gregas, “dia e logos”, sugerindo “fluxo de significado”. Isso contrasta com “debate”, que significa derrotar ou mesmo discussão, que possui a mesma raiz que percussão e “concussão” – quebrar coisas.

Quando entramos em uma sala para debater ou discutir, vamos armados com coisas “indiscutíveis”, aquelas que não são negociáveis. E é aí que mora o perigo, é aí que trava o que nos levaria ao pensamento coletivo; ninguém abre mão do que está lá encravado em suas mentes como carimbos para serem dialogados e mudados, mesmo se forem para o bem comum.

Cada um defende seu carimbo sem saber se a real intenção do carimbador, que podem ter sido nossos pais, que pela sua ignorância nunca se perguntaram se aquilo realmente merecia estar encravado como verdade absoluta. As religiões e a política são exemplos claros do que estou dizendo. Quem foi que te convenceu que o partido X que você vota é o ideal? Alguém rotulou com a fórmula da emoção e você passa a defender sua religião, seu partido político, seu time de futebol, como sua própria vida. De fanáticos e fundamentalistas todos temos, alguns mais e outros menos.

No mundo dos negócios não é diferente. Executivos defendem suas idéias inegociáveis, antigas, retrógradas e que não funcionam mais na gestão cibernética e participativa.

Nossa cidade vive um exemplo do que estou falando. Políticos defendem seus partidos, seus pontos de vista como verdades absolutas e se o adversário não concorda, vira motivo para o confronto. E a ideologia do “quanto pior melhor”, toma conta da situação e toda a cidade sofre.

Tudo isso acontece porque foi substituído o diálogo pela discussão, pelo debate. E nos debates, as “indiscutíveis” ficaram até abaixo da superfície, bloqueando a comunicação profunda e honesta de coração a coração.

Todos trazemos premissas básicas conosco, nossos mapas mentais sobre o significado da vida, como o mundo opera e nossos interesses religiosos, políticos, assim por diante.

Defendemos nossas premissas básicas desenvolvidas lá na infância e juventude, por nossos professores, família e literatura com fanatismo e não percebemos, pois estamos anestesiados e condicionados a esses propósitos inconscientemente. Lembre-se que nossa mente é infiel e às vezes ela depende das circunstâncias.

Estamos agindo num modelo de coalizão. Nossa premissa tácita é que somos indivíduos separados e precisamos construir uma coalizão. Precisamos parar com isso e pensar que fazemos parte do todo e o todo é que é o importante, não as partes. O que precisamos sim é criar o pensamento coletivo, pois se as pessoas pensarem juntas de forma coerente, isso tem um tremendo poder. Acredito no diálogo aberto.

 Insubstituível

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível" .

 
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
 
- Alguma pergunta?
- Tenho sim.E Beethoven ?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
 
 Silêncio.....
 
 O funcionário fala então:
 
 - Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
 
Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles?  Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? etc...
 
Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que  sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.
Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.
 
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo , se Picasso era instável , Caymmi preguiçoso , Kennedy egocêntrico, Elvis paranoico ...
O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
 
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro.
Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.
 
Se seu gerente/coordenador ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder/técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.
 
Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.
 
Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:... . Ninguém ... pois nosso Zaca é insubstituível"
 
Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te substituirá!
 
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."
 

"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se a isso, com muita paz de espírito."

 

4 dicas para fugir das fofocas no ambiente de trabalho

 

 

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Todo mundo diz que as pessoas no ambiente de trabalho formam uma família. E não dá para discordar muito, afinal, passamos mais tempo na empresa do que dormimos ou passamos com nossos familiares.

Mas como em toda família, sempre tem aqueles que conturbam o ambiente, independente do motivo que os levam a isso. São aqueles que  adoram uma fofoca, especular sobre da vida alheia.

E isto é um perigo para o desenvolvimento de sua carreira profissional, para a convivência no ambiente de trabalho e entre as equipes, e a consequência pode ser pior ainda para os negócios, se a empresa ignorar seus efeitos.

O que infelizmente ocorre com certa frequência, com muitos líderes fazendo vista grossa, ou achando que o simples fato de ignorá-las fará com que cesse o falatório, o que raramente ocorre.

Nesse caso você tem que agir e não ficar esperando passivamente pelos outros se percebeu que caiu em uma equipe/empresa onde a fofoca rola solta.

Aqui vão 4 regras básicas de como lidar um esse tipo de gente, tão comum em qualquer ambiente social:

1 – Identifique o fofoqueiro

No ambiente de trabalho, nas conversinhas de corredor é possível perceber em pouco tempo aquelas pessoas que gostam de falar pelos cotovelos, que curtem uma especulação da vida dos outros. Tudo ele acha, deduz e já sai espalhando para quem queira ouvir. Preste atenção para não ser seduzido por sua fácil conversa.

2 – Evite fazer parte de seu grupo

Identificado o “elemento”, seja o mais profissional possivel com ele. Se você percebeu que ele é um fofoqueiro, possivelmente outros também o reconheceram assim. Daí a importância de não andar com pessoas desse tipo, pois mesmo que não compartilhe de suas fococas, será tachado igualmente como ele. É a velha máxima “diga-me com quem andas e lhe direi quem és”.

3 – Fofoca sobre você? confronte o fofoqueiro

Mesmo que você siga as regras básicas acima, ainda assim pode ser alvo do veneno do fofoqueiro. Aí não tem jeito, a saída é confrontá-lo de forma madura e adulta, envolver as pessoas que tiveram conhecimento das invenções do fofoqueiro e que podem estar sendo influenciadas por essas mentiras e assim tirar tudo a limpo.

4 – E se tudo isso não funcionar?

Calma, “pegar o cara na saída” não vai ajudar…Se não der certo não exite em levar o assunto aos superiores para que tomem as devidas providências. E não espere muito para isso, porque fococa espalha mais rápido que a gripe suína. Não deixe que informações distorcidas ou completamente irreais sobre você cheguem aos ouvidos superiores e seja “queimado” por algo que não fez ou não tenha relação com seu trabalho.

Dê sua opinião sobre o artigo acima.

Data: 08/06/2010

De: Faccio

Assunto: fofoca

Por falar nisso, vcs ficaram sabendo da última??

Data: 26/05/2010

De: Fabiana A Amaral

Assunto: Provérbios 18:20 e 18:21

"Do fruto da boca o coração se farta, do que produzem os lábios se satisfaz."
"A morte e a vida estão no poder da língua, e aqueles que a amam comerão do seu fruto."

Data: 24/05/2010

De: Fabiana A Amaral

Assunto: comentário

Muito bom esse artigo! Às vezes, encontramo-nos neste tipo de situação e não sabemos como agir. Ótimas dicas.

Novo comentário

Relações Interpessoais E Respeito No Trabalho

Seja no trabalho, na escola, na família ou num grupo de amigos, as relações interepessoais têm muito em comum, já que acontecem entre pessoas, e pessoas têm características, emoções e atitudes semelhantes onde quer que estejam. Mas, claro, dependendo do tipo de grupo social no qual se encontram, há aspectos diferenciados nas relações. No grupo social do ambiente profissional não se age exatamente como no grupo social familiar, e por aí vai.

A grande maioria das pessoas, depois de uma certa idade, variável, passa a integrar o mercado de trabalho, inserida num grupo de pessoas que estão lá para a mesma coisa que ela: trabalhar. Trabalhar para obter seu sustento financeiro, construir uma carreira, pôr em prática seu conhecimento acadêmico, diferentes motivos que existem isolados ou concomitantemente. Uma grande maioria trabalha principalmente porque precisa do dinheiro obtido com sua atuação profissional para custear sua vida, de sua família. Para poder comprar bens duráveis e não duráveis, pagar as contas do mês, custear um curso, etc.

Sendo assim, em princípio, o ambiente de trabalho seria um ambiente no qual as pessoas estão para desempEnhar suas funções profissionais e receber um salário por isso. As relações entre elas, nesse local, seriam primeira e idealmente profissionais, acontecendo de forma harmônica para que todas as funções se complementassem e isso levasse a um objetivo maior, que visa à boa realização das tarefas da empresa onde trabalham. Sim, há quem seja autônomo e trabalhe sozinho, em casa, num consultório, escritório, mas o exemplo a que me aterei aqui é mais o de pessoas que trabalham num ambiente de empresa, onde há mais relações entre profissionais. E, sendo esses profissionais seres humanos, as relações naturalmente não se limitam ao aspecto profissional, como acabei de descrever. Acontecem relações interpessoais que envolvem aspectos que não necessariamente são os básicos de uma convivência empresarial; claro, não somos robôs nem engrenagens numa máquina que trabalham em harmonia só para produzir bem. Criamos amizades, inimizades, afetos e desafetos no ambiente de trabalho, entram em cena egos, solidariedade, inveja, amizade, o melhor e o pior do ser humano. Inevitável, já que somos gente que tem sentimentos e individualidades.

Só que esses nossos sentimentos e personalidades, no convívio do dia a dia do trabalho, necessariamente não têm de ser expostos e vivenciados da mesma forma que num grupo de amigos, mesmo que trabalhemos com amigos. O grande lance é saber que no trabalho precisamos ter um tato, uma sensibilidade maior para perceber que há fatores diferenciais envolvidos, próprios desse tipo de relação. Há interesses econômicos, de carreira, de autoridade, que podem não existir em outros grupos sociais. Não é de bom tom que no serviço nos expressemos como se estivéssemos com a família em casa, por exemplo, sem uma maior preocupação no uso das palavras. Falar com um superior como se estivesse falando com a mulher ou com o filho provavelemnte não surtirá um efeito muito bom, esteja você falando de forma carinhosa ou sobre qualquer problema. Usar o bom-senso e lembrar que ali você é um profissional falando com outro é vital para que o relacionamento entre vocês continue da melhor forma possível. Isso não significa deixar de ser quem é, ser falso, mas sim ser inteligente, sabendo que deve exercer sua autenticidade de modos diferentes em ambientes com características diversas.

Um aspecto que deve permear as relações humanas, não só no trabalho, deve ser o repeito. Pensando no ambiente profissional, o respeito é fator fundamental para que as relações entre as pessoas existam de maneira positiva. Não precisamos ser amigos de todos que trabalham conosco, mas precisamos respeitá-los e por eles ser respeitados, sejam subordinados ou superiores. Todo ser humano merece respeito. Seja nas brincadeiras, seja no convívio diário, seja num momento de algum tipo de conflito, perder o respeito pelo outro nesse tipo de meio põe em risco muita coisa: o bom ambiente, a carreira, o emprego... Tem-se muito a perder com a falta de respeito e polidez no serviço. Uma grosseria ou brincadeira inoportuna pode marcá-lo para sempre naquele ambiente.

Espera-se que os membros de uma equipe estejam sempre motivados e pensando no objetivo maior da empresa, em seu sucesso no mercado. Só que, para isso, não só um bom salário é o fato principal. Uma pessoa que trabalha num ambiente no qual não é respeitada provavelmente perderá a motivação e sua satisfação e motivação de ficar ali cairão, caindo também seu rendimento. Além disso, o reconhecimento profissional positivo é muito importante, pois faz com que o profissional se sinta notado, valorizado. Dizer que trabalhar bem é a obrigação e não se deve cumprimentar ninguém por isso é um pensamento antigo, pouco produtivo e humano. Sim, se o indivíduo não exerce sua função bem, pode-se pensar em substituí-lo por quem o faça melhor, mas, primeiro, deve-se refletir por que essa pessoa não está desempenhando suas funções a contento. Será falta de preparo, de treinamento, de um ambiente motivador, é má vontade da pessoa, imaturidade? Demitir alguém por ele trabalhar mal sem uma análise geral da situação nem sempre resolve os problemas. A menos que essa pessoa se mostre completamente despreparada, é válido refletir por que ela não está bem em sua função. Se é completamente despreparada mesmo, como foi contratada? Isso não foi notado por quem a contratou, e não será(ão) essa(s) pessoa(s) também despreparada(s) para contratar funcionários? Não valeria a pena treinar mais a pessoa que não está realizando bem seu serivço?

O reconhecimento profissional vem em forma de <em>feedbacks</em> positivos, menções, promoções, aumentos salarias, de uma forma ou de várias juntas. Vem com o respeito à opinião e argumentos da pessoa, confiança, respeito a seu espaço e jeito de ser e agir. Tudo o que as empresas e profissionais deveriam saber, mas ainda muitas vezes ignoram totalmente. Por mais que se fale em desenvolvimento humano, motivação profissional, que existam palestras, cursos nesse sentido, o que se vê muito na realidade é que isso não é aplicado.

Profissionais continuam sendo desrespeitados em seus ambientes de trabalho. Seja por que eles próprios agiram de maneira a se prejudicar, agindo de maneira inadequada e conquistando antipatias, construindo uma imagem negativa, ou porque as outras pessoas não têm sensibilidade e preparo suficientes para se relacionar positivamente com os demais membros da equipe.

Observemos, então, o profissional que se prejudica no ambiente profissional. Ele próprio cria um ambiente negativo à sua volta, com colegas, subordinados e superiores. Como já dito, não se pode falar com os outros no ambiente de trabalho como se estivesse em casa. As pessoas ali, em geral, não tem um histórico de vida, um envolvimento afetivo como seus familiares tem com você e nem sempre estão dispostos a entender e a passar uma borracha sobre os deslizes reais ou imaginários que se possa cometer. Sim, porque é comum algo ser mal entendido por alguém e aí gera-se uma antipatia difícil de anular posteriormente. Precisamos ter sempre em mente que no trabalho precisamos ter educação, respeito pelo outro, falar de maneira clara e polida, observando diferenças e hierarquias, sempre com cortesia, mas nunca esquecendo que seu superior tem autoridade para lhe delegar tarefas e que seu subordinado ou pessoa em posição abaixo da sua não é uma pessoa inferior no aspecto humano por causa disso. Pode-se falar uma série de coisas, desde uma advertência, um pedido de ajuda, uma reclamação, até um elogio ou uma brincadeira, mas sempre com respeito, profissionalismo e bom-senso. Observe o ambiente a seu redor, as pessoas que estão nele. Procure entender as mensagens que passam com suas atitudes e jeito de ser. Isso é a melhor forma de aprender a como agir e se comunicar com elas. Podemos nós mesmos fazer com que se perca o respeito para conosco se agirmos mal. Se seu emprego lhe interessa, seja porque no momento precisa dele ou porque realmente o aprecia, ou as duas coisas, aja de maneira correta nele. Se está cansado dele, procure meios de conseguir um novo trabalho, mas sem criar um clima ruim no seu atual, isso pode prejudicá-lo por muito tempo, até mesmo em novos empregos. Os profissionais se comunicam, uma má fama extrapola muitas vezes o ambiente de uma empresa. Se errou, procure não cometer de novo o mesmo erro. Ganha quem contrói relações positivas no local de trabalho, em qualidade de ambiente, motivação, desempenho. Relacionamentos positivos hoje podem gerar muitas possibilidades boas no futuro. Uma boa rede de contatos profissionais é importante na hora de procurar um emprego; por exemplo: um ex-colega de trabalho pode dar indicações importantes.

Entendamos que para isso não é necessário ser falso, "puxa-saco", político ao extremo. Ser político no trabalho deve(ria) ser entendido como ser equilibrado, polido, relacionar-se bem com diferentes pessoas. Não precisa ser amigo de quem não quer, é só ser profissional e respeitoso; demonstrar iniciativa e boa vontade na realização de seu serviço (desde que isso seja minimamente verdadeiro) gera uma percepção de que é um profissional interessado e positivo, mostra suas qualificações, conhecimentos. E isso dá um retorno bom. Se não é possível, se não tem como ser motivado no ambiente em que está, analise o que acontece. É algo seu ou do ambiente, mesmo? Se for algo de sua parte, tem como corrigir? Vale a pena? Se é do ambiente, é válido insistir e permanecer nele?

Sim, muitas vezes o problema está no ambiente. Seja por causa do desrespeito entre as pessoas, seja por causa das condições precárias de trabalho, isso tudo pode gerar uma situação extemamente negativa. Um colega que sabota seu trabalho, um superior despreparado que o trata de forma pouco adequada, real falta de identificação com a equipe. São muitas as hipóteses. O que precisamos ter sempre em mente é que trabalho nenhum vale mais que nosso bem-estar. Um trabalho que exige sua presença além do que gostaria e seria racional, ou uma equipe de pessoas que não consegue trabalhar em concordância de forma alguma... Tentemos entender a situação e ver se podemos mudá-la por nós mesmos. Há alguém com quem falar sobre o que acontece que poderá efetivamente fazer algo para melhorar a situação? Se sim, ótimo, demos essa oportunidade e façamos nossa parte. Não há como mudar as coisas? Há como a gente se adaptar à situação, encará-la? Vale a pena? Muitas vezes, pensamos que precisamos de qualquer jeito suportar uma situação que nos agride, porque precisamos daquele emprego ou porque ali construiremos uma brilhante carreira. Só que, se a situação não tem possibilidade de mudar para melhor, não adianta. Que custo isso terá para nós, ficar naquele ambiente? <em>Stress</em>, insatisfação, desmotivação, desrespeito? Desrespeito para com nós mesmos, que permanecemos num meio hostil. Será que não há possibilidade de procurar outra coisa, mesmo permanecendo nesse ambiente enquanto não aparece algo melhor? Será esse emprego o último da face da Terra? Sempre há uma saída, mesmo que pensemos que não no momento. É questão e refletir e tentar achar alternativas, sozinho ou com ajuda de alguém. O que não se pode é permanecer indefinidamente num meio que o incomoda além do que pode ser tolerável, isso variando de pessoa para pessoa. Não há emprego perfeito, só com aspectos bons. Natural. Mas, quando os aspectos ruins se mostram em maior número e mais significativos que os bons, é importante repensar-se nesse emprego.

A saúde física e mental de ninguém vale menos do que um trabalho. Quem pensa diferente, que colha as consequências negativas no futuro. Se um colega seu está satisfeito com as condições da empresa e você não, que bom para ele. Vocês são pessoas diferentes, o que é bom para ele não precisa ser para você. Insistir num ambiente que o estressa traz uma série de malefícios à sua qualidade de vida e a seu próprio desempenho profissional. Você reflete se está agindo com boa vontade e da melhor forma que poderia, sinceramente, insiste da maneira que pode, tenta, mas será difícil manter um bom nível de trabalho; mesmo que consiga, estará motivado, feliz? Provavelmente, não. Isso transparece para os outros e pode causar sua demissão, principalmente se estiver num meio em que a cobrança por motivação e satisfação a qualquer custo for muito grande. Você se desrespeita e fica exausto para permanecer no ambiente, insatisfeito, e acaba perdendo o emprego pelo qual lutava erroneamente para manter. Teria sido melhor ter procurado outro antes que isso acontecesse, já que não estava mais satisfeito. Muitas vezes pior ainda quando não é demitido, fica anos num meio que o faz mal de muitas maneiras.

O que proponho que se faça é uma reflexão sobre a importância do respeito para conosco e para com os outros no ambiente de trabalho e em suas relações nele. Se temos enfrentado problemas nesse sentido, procuremos identificar suas causas e possíveis soluções. Passamos tanto tempo de nossas vidas no ambiente de trabalho! É algo muito importante para ser ruim ou insatisfatório, o que traz consequências importantes para nós. Se não podemos mudar as relações entre as pessoas como achamos que deveríamos, nem as relações empregador-empregado, se a mentalidade das pessoas muitas vezes está mais para o século XVIII do que para o que deveria ser do século XXI, apesar de aparências de evolução e humanismo, podemos procurar para cada um de nós caminhos profissionais melhores, mais adequados a nossas características, necessidades e desejos. Sem faltar com o merecido respeito para com os outros e para conosco. Com isso, ganhamos não só profissionalmente, mas em qualidade de vida em geral, que é o que realmente importa.

Dê sua Opinião sobre o artigo: Relações Interpessoais E Respeito No Trabalho

Data: 20/05/2010

De: Ana Cristina Rocha

Assunto: Muito bom o artigo!

O artigo de Relações Interpessoais e respeito no trabalho é muito bom, inclusive deveria ser enviado para o e-mail de todos os funcionarios da Cohab, para ter consciência de como se comportar no ambiente de trabalho.

Data: 14/05/2010

De: Fabiana A Amaral

Assunto: Excelente!

Este artigo é muito verdadeiro e demonstra como deve ser nossa conduta no trabalho.

Novo comentário

 Voluntariado nos anos de 2010: a década em que perdemos contato?

autor: Armindo dos Santos de Sousa Teodósio**

O ano de 2010 chegou com graves perdas no campo da ação social e, para os pessimistas, isso pode ser sinal de tempos mais obscuros pela frente. Digo isso pelo falecimento de Zilda Arns e milhares de haitianos. No entanto, nessa década que se inicia, os desafios para a ação voluntária são redobrados. As esperanças, pelos menos da minha parte, também são muitas, ainda que parafraseando a música de Paul Weller, o mundo insista em me dizer que não.

Comecemos nossa discussão pelas promessas mal cumpridas de pouco mais de duas décadas de intensa difusão e divulgação de práticas de voluntariado no Brasil e no mundo. Nesse turbilhão de esforços, somaram-se a multiplicação de organizações da sociedade civil, a estruturação de programas de incentivo ao trabalho voluntário por parte de organismos internacionais, governos e empresas e uma atenção redobrada da mídia pelo tema. Paralelo a isso, os problemas sociais e ambientais se avolumaram e se tornaram mais agudos.  Os que duvidam disso devem refletir se existe tranqüilidade nos grandes centros urbanos quando um temporal se anuncia, para falar apenas do meio ambiente.

Junto com esse pacote de uma suposta modernização da ação social através do voluntariado, expressões e práticas como caridade, assistencialismo, piedade, ajuda desinteressada, esmola, compaixão e filantropia se tornaram verdadeiros palavrões no convívio contemporâneo. No seu lugar, surgiram neologismos nada novos como transformação social, redes, gerenciamento, resultados, consciência social, relação ganha-ganha e parcerias, para citar apenas algumas das lenga-lengas do discurso politicamente correto dos gestores de programas de voluntariado, seja nas ONGs, em empresas ou mesmo em órgãos de governo.

O que toda essa movimentação não consegue encobrir é que nada é mais confortável para os medianos de qualquer classe social (e não só da mediana classe média) do que trocar os jargões do discurso por pérolas pseudomodernas. Os simplistas e desconfiados de plantão já vão dizer que tudo não passou de discursos vazios ou fachadas para dotar de legitimidade e encobrir práticas nefastas de empresas pouco interessadas em seus stakeholders, acobertar ONGs nada transparentes, democráticas e eficientes e desviar a atenção de governos que dão com uma mão o que roubam com a outra. Se fosse apenas dissimulação de práticas incorretas, tudo estaria correndo muito bem, pois como o discurso rasteiro da responsabilidade social empresarial, do controle social sobre as organizações da sociedade civil e da moralização da política teima em insistir, bastaria apenas adotar mais e melhores práticas de gestão e governança. As mudanças viriam, mais cedo ou mais tarde, naturalmente. A mídia, nesse contexto, teria o papel de mostrar tudo a todos, como se a sociedade contemporânea estivesse realmente interessada em saber sobre tudo e todos o tempo todo. Infelizmente ou felizmente, a questão me parece mais complexa e exige respostas mais corajosas e ousadas.

Da modernização do voluntariado surgiu uma concepção pseudomoderna que tenta, mesmo que negue veementemente, inclusive através de abordagens exageradamente psicologizantes e de auto-ajuda disfarçada, tutelar sentimentos e a própria sociabilidade contemporânea. Assim, não podemos ter piedade ou praticar a caridade, apesar de milhões continuarem a desenvolvê-las no dia-a-dia (quem efetivamente nunca mais deu esmolas nas ruas?!). No lugar desses sentimentos tidos como ultrapassados, pois remontam à práticas seculares de ajuda dos ricos aos pobres no Brasil e no mundo, colocou-se o mantra do gerencialismo, com seu pragmatismo a toda prova, instrumentalidade radical e promessa de resultados, que nunca vêm; será por que nunca vêm?! Nunca chegam a ser alcançados porque a ação social exige muito mais do que gestão e isso poucos articuladores de programas de voluntariado, apesar de duas décadas de cabeçadas na parede, descobriram. Ou, quando descobrem, fazem como muitos gestores empresariais engajados em problemas sociais e ambientais, colocam tudo dentro da calculadora utilitarista mental que desenvolveram em décadas de socialização e aprendizagem focada nas relações profissionais, um dos estigmas do mercadocentrismo na sociabilidade contemporânea, transformando toda a complexidade social em suco na máquina do voluntariado contemporâneo.

Nesse contexto, toda e qualquer visão que inspire radicalidade é vista com desconfiança, pois as mudanças contemporâneas não se dariam mais pelas revoluções, mas sim por transformações contínuas, sendo o voluntariado o seu melhor exemplo. Assim, no lugar dos ativistas políticos (a maioria deles de origem na esquerda), teríamos os voluntários de final de semana; no lugar das lutas pelos direitos em todas as suas variações modernas (gênero, etnia, deslocados por barragens…), teríamos os empregados (e não os presidentes e diretores de empresas, pois, coitados, são muito atarefados, sic…) das grandes corporações desenvolvendo programas sociais em comunidades estrategicamente selecionadas; no lugar dos diretórios acadêmicos politizados (talvez até em demasia no passado) teríamos os bem adestrados universitários promovendo a coleta seletiva e angariando fundos para os pobres (de preferência só no Natal, pois só no Natal as pessoas passam fome). Novamente, os simplistas vão dizer: então, voltemo-nos ao passado, às armas e às revoltas e façamos a mudança estrutural da sociedade! O grande erro de todo o pensamento médio, muito bem informado, pois hoje todos nós somos hiperinformados e, ao mesmo tempo, desconhecemos tudo, é não conseguir operar com duas idéias opostas na cabeça e ainda assim continuar funcionando, como diria Scott Fitzgerald.

Para que as idéias e as práticas de voluntariado possam efetivamente fazer a sua mea culpa é preciso agir e refletir sobre a sua práxis a partir da complexidade contemporânea, e não estou falando apenas de ler com atenção e sem linearidade Edgar Morin, mas sim de conceber políticas, programas e projetos a partir de suas dualidades, contradições e paradoxos, levando em conta todas as armadilhas que a vida reserva para tudo. Só assim, e não através de cursinhos de uma verdadeira indústria de gerenciamento do Terceiro Setor montada nos últimos anos, que pouco ensinam e mais doutrinam do que preparam para a ação social e que, graças a Deus, já começam a desaparecer, é que a ação voluntária poderá trazer as respostas que todos esperam.

Dentre os desafios que se apresentam, os principais são: a) respeitar práticas e costumes locais com forte vínculo cultural e religioso como a piedade, a caridade e a compaixão sem cair no assistencialismo travestido de boa gestão da maioria absoluta das ONGs contemporâneas; b) obter o envolvimento em práticas cotidianas de ação social ao mesmo tempo em que engajam esses mesmos voluntários em lutas políticas de transformação estrutural das sociedades; c) estabelecer acordos e ações conjuntas sem cair no lugar confortável das parcerias (que soam como sinfonia para os neoconservadores modernos) e também sem deixar de operar a partir do conflito com empresas, governos, mídia e quaisquer outros grupos detentores de grande poder; d) deixar que cada indivíduo, da forma mais autônoma e livre possível, encontre seu equilíbrio pessoal sem ser doutrinado pelos treinamentos, encontros e workshops autoritários de auto-ajuda que versejam nas práticas de voluntariado, mas também deixá-los a todo momento incomodados, amedrontados (para o filósofo Hans Jonas o medo é o caminho para a construção da ética nas sociedades contemporâneas) e indignados com toda e qualquer forma, inclusive as mais sutis, de dominação, injustiça e opressão.

Se você, caro leitor, me aturou até agora, pode estar pensado que isso é impossível. Pois bem, na minha vida tenho encontrado indivíduos e organizações, ainda que raros, que conseguem operar com as contradições sem se tornarem bipolares. Nada pior para a verdadeira e transformadora ação social do que operar nos pólos (radicalismo de esquerda ou parcerias, intervenção nos problemas sociais ou ação política, equilíbrio emocional/espiritual ou ativismo socioambiental, caridade ou resultados, improvisação ou gestão, …). Basta colocar no lugar do “ou” o “e”, desconfiar constantemente das certezas pessoais e institucionais e não se esquecer de que não se trata de sempre ficar no ponto médio, neutro ou insosso, pois a mediocridade também habita as zonas médias. Outros podem estar pensando que isso é tarefa apenas para grandes homens e mulheres, ou melhor, para as lideranças sociais. Na década que se iniciou com o sofrimento fúnebre de Zilda Arns e dos haitianos, nada mais distante do seu legado do que esperar por grandes líderes sociais, outra bobagem que espero que desapareça dos discursos sobre voluntariado, pois tomando emprestado de Bertolt Brecht, “feliz a nação que não precisa de heróis”. Operar na complexidade e conseguir tirar as práticas de voluntariado de sua mesmice conservadora travestida de consciência social avançada não é tarefa para líderes ou heróis, mas para mulheres, homens e instituições cheios de defeitos, erros e inconsistências, ou seja, para nós todos nós que somos seres humanos e construímos instituições. Caso isso não aconteça, corremos o risco de vivermos mais uma década na qual perdemos o contato, não com a vida extraterrestre de “2010: Uma Odisséia no Espaço”, mas com a nossa própria humanidade.

**Armindo dos Santos de Sousa Teodósio

Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Administração

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

A importancia do trabalho em equipe

(Suzy Fleury)

O psicólogo Abraham Maslow constatou que os indivíduos têm diversas necessidades, com diferentes forças. Sabemos que necessitamos de alimento, de abrigo, pagar nossas contas, de segurança no emprego, etc., mas também de nos relacionar com os outros e de sermos aceitos por eles. Sem isso nosso trabalho se torna enfadonho e sem graça.

Trabalhar em equipe é mais divertido do que trabalhar individualmente, o que pode contribuir para melhorar nosso desempenho.

Há... coisas na terra que são pequenas, mas extremamente sábias: as formigas, criaturas sem força, todavia no verão preparam a sua comida... os gafanhotos não tem rei, porém todos saem, e em bandos se repartem (Provérbios 30:24-27).

Quando falamos em trabalho em equipe, logo nos lembramos das formigas e dos gafanhotos, seres tão pequenos, mas que dão um grande exemplo de união, força e auto-gerenciamento.

As primeiras têm um líder, vivem numa sociedade eficazmente organizada e não precisam receber ordens para executar seu trabalho. Você já viu de perto um formigueiro? Já notou como elas andam em fileiras e sincronia perfeitas e preparam seu alimento no verão para os dias de chuva, quando não podem trabalhar? Já os gafanhotos não têm um líder, porém sabem o que devem fazer exatamente.

Mas o que é trabalho em equipe?

Suponha que você e mais duas pessoas estão trabalhando em uma plantação de feijão, onde cada um ganha o salário correspondente ao seu dia de trabalho. O trabalho funciona da seguinte maneira: em fila, você cava o buraco, o segundo joga a semente e o terceiro integrante tapa o buraco. Cada integrante deste grupo se preocupa apenas em realizar a sua tarefa, nada entendendo da importância do trabalho dos outros, “é cada um por si”.

Um certo dia o segundo membro da equipe faltou ao trabalho por motivo de saúde, porém a atividade continuou, pois cada um recebia o salário correspondente ao seu dia de trabalho e eles sabiam muito bem qual era sua responsabilidade, sem a necessidade de um líder para orientá-los. Você cavava o buraco, o segundo não jogou a semente (pois havia faltado), mas o terceiro tapava o buraco e assim prossegue o dia inteiro...

Muitas pessoas, que atuam em diversas organizações, estão trabalhando em grupo e não em equipe, como se estivessem em uma linha de produção, onde o trabalho é individual e cada um se preocupa em realizar apenas sua tarefa e pronto. No trabalho em equipe, cada membro sabe o que os outros estão fazendo e sua importância para o sucesso da tarefa. Eles têm objetivos comuns e desenvolvem metas coletivas que tendem a ir além daquilo que foi determinado. Se no exemplo anterior você e os demais integrantes do grupo trabalhassem como equipe, conhecendo a importância do trabalho de cada membro, tendo uma visão e objetivos comuns, certamente vocês diriam: “nosso colega faltou, vamos ter que substituí-lo ou mudar o modo como estamos plantando, se não nosso trabalho será improdutivo”.

Toda equipe é um grupo, porém... nem  todo grupo é uma equipe. (Carlos Basso, sócio-diretor da Consultoria CR Basso)

Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns, em geral se reúnem por afinidades. No entanto esse grupo não é uma equipe. Pois, equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de metas específicas.

Grupo são todas as pessoas que vão ao cinema para assistir ao mesmo filme. Elas não se conhecem, não interagem entre si, mas o objetivo é o mesmo: assistir ao filme. Já equipe pode ser o elenco do filme: Todos trabalham juntos para atingir uma meta específica, que é fazer um bom trabalho, um bom filme.

(Suzy Fleury, psicóloga e consultora empresarial e esportiva)

Ter uma equipe altamente eficaz é mais do que ter um grupo de pessoas, visto que o trabalho em equipe precisa ser planejado, elaborado.